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Carlos Drummond de Andrade







terça-feira, 24 de agosto de 2010

Voluntário, educado para ser.



Rogério Arns Neumann viu a Pastoral da Criança nascer e trabalhou nela na captação de recursos e relacionamento com parceiros. Hoje é um especialista em desenvolvimento comunitário. Nesta entrevista concedida ao Portal do Voluntário/V2V Brasil em Curitiba, ele explica o sucesso da Pastoral e demonstra como o voluntariado é essencial para que as comunidades consigam quebrar o ciclo da pobreza.



Como começou o seu envolvimento com a área social?




Rogério Arns Neumann - O meu envolvimento com a Pastoral da Criança começou desde o seu início, em 1983, em Curitiba. Especialmente porque ela foi idealizada e fundada por minha mãe, Zilda Arns Neumann, e pelo meu padrinho, Dom Geraldo Majella Agnelo, que naquela época era Arcebispo de Londrina e hoje é o Cardeal de Salvador e presidente da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Na época eu tinha 13 anos, a Pastoral da Criança era apenas um projeto-piloto, ainda sem nome. Foi a partir de 1985 que começou a expansão para outras regiões do Brasil. Até esta data havia apenas uma secretária, e a sala da Pastoral da Criança funcionava na Secretaria de Saúde do Paraná. Houve um remanejamento no prédio da Secretaria e a sala foi solicitada. Como não havia dinheiro para pagar aluguel, a solução foi transferi-la para os fundos da minha casa, onde havia funcionado por um bom tempo o consultório de pediatria da Mãe. Eu me lembro que o telefone primeiro tocava lá em casa, e se fosse para a Pastoral da Criança a gente chamava a secretária. O escritório era só de apoio, pois o trabalho mesmo era feito nas comunidades.Muitas vezes, depois que voltávamos da escola, minha irmã caçula Silvia e eu ajudávamos no envio dos materiais educativos, preparando os pacotes e escrevendo os endereços, junto com uma prima que trabalhava em nossa casa. Eram apostilas escritas pela minha mãe e outros livros do Unicef e Ministério da Saúde, que serviam para os treinamentos. Também era costume enviar cartões de Natal para as pessoas envolvidas com o trabalho da Pastoral da Criança. Algumas primas escreviam os cartões, porque tinham uma caligrafia bonita, minha mãe assinava, e os primos colocavam no envelope, selavam e levavam as cartas no correio. Freqüentemente vinham profissionais do Unicef (Fundo das Nações Uniodas para a Infância), CNBB, Ministério da Saúde e outras instituições para reuniões na Pastoral da Criança. Era a hora guardar os brinquedos e jogos, e arrumar a bagunça, pois as reuniões eram na sala de jantar de nossa casa, e o almoço era servido lá também. A Pastoral da Criança funcionou nos fundos de casa até alcançar mais de 100 mil voluntários, em 1995. Depois ela tomou conta da casa inteira, até 1999. Foi um tempo muito gostoso. Era impossível imaginar naquela época a dimensão que a Pastoral da Criança tomou hoje em dia.


Há quanto tempo você trabalha profissionalmente na Pastoral da Criança?


Rogério Arns Neumann - Depois que me formei em Administração de Empresas, em 1992, fui para São Paulo trabalhar, e a coordenadora da Pastoral da Criança de lá sempre me convidava a ajudá-los. Até que um dia, depois de muita insistência, fui conversar com ela. Eu tinha feito o meu primeiro treinamento em ações básicas de saúde na Pastoral da Criança em 1986, e não entendi quase nada. Era uma prática da Mãe convidar os filhos a participarem das atividades para poder entender melhor porque este trabalho era importante e ela tinha que viajar tanto. Um dia vim a Curitiba e fui convidado pelo conselho diretor da ANAPAC (Associação Nacional de Amigos da Pastoral da Criança) a elaborar uma proposta de captação de recursos. Quanto mais eu trabalhava, como voluntário, mais eu me empolgava e me realizava profissionalmente. Posso dizer que foi na Pastoral da Criança que encontrei minha vocação profissional. Como era necessário alguém para tocar o projeto de captação de recursos e fortalecer a articulação das equipes da Pastoral da Criança com órgãos públicos e privados, me convidaram para criar o setor de Articulação na Coordenação Nacional, e eu aceitei. Era 1995, e fiquei trabalhando lá até 2001, quando fui estudar no Canadá.


O que é a Pastoral da Criança? O que ela faz? Onde? Quais são suas principais atividades?Rogério Arns Neumann - A Pastoral da Criança é a própria comunidade organizada em torno do desenvolvimento infantil. A base de todo o trabalho são líderes comunitárias, normalmente mulheres, que acompanham de 10 a 15 famílias vizinhas. A missão é formar comunidades saudáveis para o desenvolvimento infantil. As líderes desenvolvem ações básicas de saúde, educação, nutrição e cidadania, como o incentivo ao aleitamento materno, a vigilância nutricional, o uso do soro caseiro para combater a diarréria, até a discussão das políticas públicas através dos conselhos municipais. Os resultados são impressionantes: a mortalidade infantil nas comunidades com Pastoral da Criança é a metade da média nacional e ao custo mensal de menos de R$1,00 por criança.


Qual é o segredo da Pastoral?


Rogério Arns Neumann - Em 1989 aconteceu em Seul, na Coréia do Sul, a 5ª Conferência Internacional INPF – International Nutrition Planners Forum, onde foram analisadas seis experiências de sucesso vindas de diversos países, dentre as quais a Pastoral da Criança. Ao final do Fórum, chegou-se à conclusão que 7 elementos são fundamentais para o sucesso de iniciativas em saúde e nutrição comunitária. São eles: política bem definida e fidelidade a ela, sistema de capacitação e materiais educativos, indicadores de avaliação (processo e impacto), participação comunitária como principal instrumento, baixo custo, capacidade de multiplicação em larga escala, capacidade de articulação inter-institucional e com diferentes níveis. A Pastoral da Criança, desde seus primeiros anos de trabalho, vem sendo norteada por estes elementos.
Hoje a Pastoral, apesar da inspiração religiosa, não poderia ser considerada um movimento de promoção da cidadania e do protagonismo comunitário?Rogério Arns Neumann - Unir fé e vida é um dos lemas da Pastoral da Criança. Na adversidade social em que muitas comunidades se encontram, a fé é fundamental para animar a caminhada em busca do seu próprio desenvolvimento. Ela pode ser a esperança no deserto da vida. Tecnicamente, a Pastoral da Criança é uma organização de base comunitária, não uma instituição. Inclusive a Pastoral da Criança passou a existir legalmente apenas em dezembro de 1995, doze anos após o início de seu trabalho, e quando já tinha mais de 100 mil voluntários. Até então era a CNBB que dava a cobertura legal para os convênios.Sem as comunidades e suas lideranças, a Pastoral da Criança não existe. E é essa capacidade de moradores locais em se associar em torno de uma causa comum – a sobrevivência e o desenvolvimento infantil – que faz a Pastoral da Criança existir.


Como a Pastoral se sustenta? Qual é a sua política e sua estrutura de captação de recursos?Rogério Arns Neumann - Nos três primeiros anos, de 1983 a 1985, o Unicef financiava as capacitações e viagens. A partir de 1986 o Governo Federal começou a apoiar. Hoje o Ministério da Saúde é o principal investidor público e o programa Criança Esperança da Rede Globo o maior investidor privado. Dois terços dos recursos captados vão em dinheiro para as comunidades, que é onde acontecem as capacitações, encontros, os dias da celebração da vida. As despesas administrativas ficam abaixo dos 10%. As finanças da Pastoral da Criança podem ser analisadas na página da internet http://www.pastoraldacrianca.org.br/.Mas é importante lembrar a imensa contrapartida local, através do trabalho voluntário das lideranças comunitárias e também do uso de infra-estrutura local, e também de convênios e doações feitos localmente. Em média, para cada R$1,00 investido através da Coordenação Nacional são mobilizados localmente R$13,00. Sem falar no mais importante espaço de trabalho da Pastoral da Criança que é a casa de cada família. É lá que se acredita que devam acontecer as mais importantes celebrações da vida, é para lá que são canalizados os mais diversos apoios.
Em Curitiba, você acompanhou o Projeto Modelo Colaborativo, fruto de cooperação entre o Canadá e o Brasil na área social.Rogério Arns Neumann - A origem deste trabalho foi a percepção da Pastoral da Criança de que a eficácia de qualquer trabalho comunitário depende da eficiência das organizações dos três setores e de sua articulação. A orientação para o exame pré-natal, por exemplo, pode ser feito pelas líderes comunitárias da Pastoral da Criança junto às gestantes acompanhadas, no entanto é na unidade de saúde que ele efetivamente acontece. Da mesma forma, o soro caseiro, já comprovadamente eficiente no combate à diarréia, pode ser preparado pelas líderes e famílias, mas se a qualidade da água que as crianças tomam não é boa, não tem soro que resolva o problema em definitivo. Assim, ficou claro para nós a importância de se trabalhar para maior articulação das instituições públicas e privadas aumentando sua eficiência na promoção do desenvolvimento de comunidades.
Em 1999, com o apoio da Embaixada do Canadá em Brasília e da CIDA – Agência Canadense para o Desenvolvimento Internacional, a Coordenação Nacional da Pastoral da Criança procurou a Prefeitura Municipal de Curitiba para somar esforços e lições aprendidas em desenvolvimento comunitário. Para o desenvolvimento deste projeto-piloto foi escolhida uma região de Curitiba chamada Cajuru, que concentrava muitos desafios sociais.


Que resultados foram obtidos? Como está hoje o projeto?


Rogério Arns Neumann - A idéia do Modelo Colaborativo é ser um laboratório-piloto de conceitos e metodologias na articulação de instituições governamentais, da sociedade civil e empresariais, em prol do desenvolvimento social e econômico de comunidades em desvantagem social, fortalecendo especialmente o protagonismo comunitário. Uma das premissa básicas deste trabalho é o foco no que as pessoas e comunidades em desvantagem social têm em termos de talentos e recursos, não nas suas deficiências, fortalecendo assim a iniciativa dos próprios residentes e as relações locais. Acreditamos, também, que quanto mais lideranças e relacionamentos locais uma comunidade tem e os mobiliza, mais efetiva será qualquer ajuda vinda de fora. Indivíduos e comunidades tuteladas ou dependentes de constante ajuda externa dificilmente conseguem quebrar o ciclo da pobreza. Vale lembrar que o voluntariado é peça-chave neste desenvolvimento de dentro para fora, realizado a partir dos talentos e recursos dos moradores locais.Algumas lições aprendidas estão registradas no livro “Modelo Colaborativo, experiência e aprendizados do desenvolvimento comunitário em Curitiba”. E essa experiência já se expandiu para todas as regiões da cidade.Atualmente o Modelo Colaborativo está no seu terceiro ciclo de desenvolvimento, que inclui a sistematização de ações básicas e ferramentas de trabalho. A expectativa é que a partir de 2005 ele esteja com uma melhor estrutura para apoiar outras comunidades além do município de Curitiba.


Qual é a sua visão do movimento brasileiro de voluntariado?


Rogério Arns Neumann - O brasileiro tem uma enorme capacidade de se unir em torno de causas, de expressar sua solidariedade e de usar sua criatividade para superar obstáculos. O que falta é capacidade de organização para dar maior sustentabilidade e impacto social às suas ações. Não que em outros países mais ricos tudo seja melhor organizado. Uma diferença básica é o grande volume de dinheiro disponível nestes países, o que torna tudo mais fácil, mas não necessariamente mais eficaz. Como falta dinheiro no Brasil, a capacidade de organização precisa ser ainda mais impecável para se conseguir os resultados almejados.E essa fragilidade na organização leva a um paradoxo: o voluntariado brasileiro não tem o que fazer, apesar da grande demanda social no país. É o que vemos em vários centros de voluntários, com muita gente querendo ser voluntário e poucas oportunidades para se engajar.
Dar uma cesta básica ou um prato de comida é fácil, mas como fica o amanhã destas pessoas? Difícil é ter ações consistentes e institucionalmente articuladas, que fortaleçam a capacidade e a iniciativa de indivíduos e suas comunidades, quebrando o ciclo da pobreza. Porque não basta viver, é preciso ter vida em plenitude.


Você passou três anos no Canadá. Onde você esteve, o que fez?


Rogério Arns Neumann - Já era tempo de uma reciclagem. Fui ao Canadá, recém-casado, e com a disposição de estudar e trabalhar como voluntário. Fiz mestrado em Desenvolvimento Internacional, na Saint Mary’s University; minha esposa Lycia fez mestrado em Administração Pública na Dalhousie University, ambas em Halifax, na província de Nova Scotia. Apesar do meu mestrado ser abrangente – estratégias e práticas para o desenvolvimento social e econômico de regiões – concentrei meus estudos em desenvolvimento comunitário. Foi muito interessante mergulhar no mundo dos porquês e das maneiras como a comunidade deve ser um agente ativo na sua transformação social, isto no âmbito mundial. Também trabalhei como voluntário na United Way de Halifax, sendo conselheiro no programa Success by 6, uma iniciativa realizada em diversas cidades da América do Norte para garantir o melhor desenvolvimento infantil possível para todas as crianças menores de seis anos, fortalecendo suas famílias e comunidades. Tive, também, a oportunidade de acompanhar alguns trabalhos inspirados no ABCD – Asset Based Community Development (Desenvolvimento Comunitário Baseado em Talentos e Recursos), abordagem criada por John McKnight e John Kretzmann e que serviu de inspiração para o Modelo Colaborativo.


Qual a diferença entre o voluntariado do Canadá e o do Brasil?


Rogério Arns Neumann - Os seres humanos e suas sociedades são muito mais semelhantes do que se possa imaginar. Tanto nos problemas sociais a serem enfrentados, como drogas, gangues, desestruturação familiar, alcoolismo, desemprego, como nas soluções empregadas. A diferença maior está na escala dos problemas. O Canadá tem uma longa história de acesso à escola, a uma rede de saúde pública e de assistência social, e, consequentemente, tem menos problemas sociais. O Brasil apresentou mais coerência e consistência na área social apenas nestes últimos dez anos, em boa parte devido ao engajamento do Terceiro Setor. E resultados sociais levam muito tempo para serem visíveis e criarem tendências.Mas eficiência não tem nacionalidade, tanto lá como aqui existem programas de voluntariado fantásticos. A Pastoral da Criança ou a Associação Viva e Deixe Viver, de São Paulo, têm lições a ensinar no Canadá, assim como a United Way de Halifax pode ser para o Brasil uma boa escola de articulação local e captação de recursos com baixíssimo custo, apoiando diversas instituições sociais e comunidades locais. Tive oportunidade no Canadá de apresentar a Pastoral da Criança em diversas ocasiões, para governos e instituições sociais. A metodologia e os resultados costumavam encantar os ouvintes, e um comentário virou uma constante: nós precisamos deste tipo de trabalho com as famílias e comunidades canadenses, mas esta abordagem só dá certo porque é no Brasil. E, ao apresentar experiências canadenses no Brasil, as reações não têm sido diferentes. A diferença que mais chama a atenção no Canadá é a qualidade na elaboração de políticas, programas e projetos sociais, com análise detalhada das justificativas e evidências e pesquisa de melhores práticas nacionais e internacionais – tudo o que se relaciona com a elaboração do conceito. No Brasil, somos muitos bons em reunir pessoas, trabalhar juntos, fazer os projetos acontecerem – tudo o que se relaciona com a prática. O ideal é combinar os dois talentos.
O Canadá, pelo que se diz, é o único país do mundo que inclui no recenseamento nacional perguntas relativas ao terceiro setor e ao voluntariado. O que têm revelado estes censos?Rogério Arns Neumann - O que existe é o Censo do Terceiro Setor, chamado NSGVP – National Survey on Giving Volunteering and Participation (Pesquisa Nacional sobre Doações, Voluntariado e Participação). O NSGVP já foi realizado duas vezes, em 1997 e 2000, sendo fruto da cooperação entre ministérios do Governo Federal do Canadá e várias instituições nacionais do Setor Voluntário. Os resultados estão no site
http://www.nsgvp.org/. O último NSGVP revelou que o canadense está se voluntariando menos, porém dedicando mais horas. Outro dado relevante e que motivou muitas ações, é o potencial do jovem voluntário e a sua formação profissional. O voluntariado para o jovem não é visto apenas como uma doação pessoal, mas principalmente como uma busca pela vocação e formação profissional. O primeiro emprego é um dilema mundial e o voluntariado pode ser uma resposta na qualificação profissional, na ocupação do tempo ocioso (mantendo os jovens mais distantes de gangues e drogas), e no despertar de valores, como se doar para construir uma sociedade cada vez melhor. Vale a pena checar o site do Volunteer Canada , que no Brasil tem como equivalente o Instituto Brasil Voluntário – Faça Parte. O programa Volunteering Youth é uma das mais interessantes respostas ao desafio de estimular o jovem a se engajar socialmente, a partir da sala de aula.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

10 motivos para amamentar seu bebê

Na Semana Mundial do Aleitamento, reunimos 10 razões para amamentar seu filho - da economia à contribuição para o meio ambiente
Camila de Lira, iG São Paulo 03/08/2010 18:44




Começou ontem e vai até sábado a Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM). O Brasil, junto de quase 170 países, participa desta semana, organizada pela Aliança Mundial de Aleitamento Materno (WABA), com palestras e eventos sobre os benefícios desta prática para mães e filhos.
Mas por que amamentar seu bebê? As vantagens vão da saúde de mãe e de filho ao vínculo afetivo criado pelo ato – tudo isso comprovado por pesquisas. Descubra abaixo 10 – entre muitas – razões para o aleitamento materno.


1. Ajuda na recuperação pós-parto do corpo da mãe



A especialista Fabiola Costa amamentou a filha mais velha até os dois anos e continua amamentando o caçula, de sete meses


Durante o parto, o corpo da mulher passa por alguns traumas: o útero sangra um pouco, os níveis de hormônio ficam desregulados e algumas mães reclamam de contrações depois do nascimento dos filhos. A fonoaudióloga Fabiola Costa, membro do GTIAM - Grupo Técnico de Incentivo ao Aleitamento Materno da Universidade Federal Fluminense e autora do blog Mama Mia, sobre amamentação, explica que, ao amamentar, os hormônios do corpo feminino voltam a se equilibrar.
Fabíola aponta para outro benefício: a amamentação logo após o parto. “A sucção do peito faz com que o útero expulse a placenta mais rápido, e ainda ajuda na imunidade para o neném”, diz. Pesquisas da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, mostram que o aleitamento previne outros tipos de doença, como o enfarto e a diabetes tipo 2.

2. A mãe perde peso – e o bebê ganha
“A mãe que amamenta tem um gasto energético maior ao amamentar. Isso ajuda a perder o peso que ganhou na gestação”, diz Luciano Borges Santiago, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria. Segundo pesquisas, o gasto calórico vai de 200 a 500 kcal por dia. Já, para o bebê, o leite materno significa o ganho certo de peso “Com outro tipo leite corre-se o risco da criança engordar muito ou engordar pouco.A criança que mama no peito não fica desnutrida nem obesa”, afirma.

3. Economia de dinheiro e recursos naturais
Pesquisas da Associação Americana de Pediatria mostram que mães que amamentam exclusivamente – ou seja, alimentam o bebê apenas com o leite materno – durante os seis primeiros meses poupam cerca de mil dólares. Nessa equação entraram apenas as quantidades de fórmulas artificiais e mamadeiras que as mães teriam que comprar. A economia seria muito maior se fosse levado em conta que crianças alimentadas com leite materno tendem a ter menos doenças – e, portanto, gastam menos com remédios e pediatra. Há ainda a questão da sustentabilidade: “o leite materno não usa latas nem mamadeiras”, completa Fabíola.


4. Acalma a mãe
Dois hormônios agem durante o aleitamento: a prolactina, que induz o corpo a produzir leite, e a oxitocina, que ejeta o líquido da mama. Combinados, estes hormônios agem no organismo da mãe. Fabíola – que amamentou sua primeira filha até os dois anos e ainda amamenta o seu segundo filho, de 7 meses – diz que a oxitocina, quando liberada, dá a sensação de prazer.

5. Dá sensação de saciedade para o bebê
De acordo com Luciano Santiago, a quantidade de gordura presente no leite varia durante a amamentação. “Logo perto do final da mamada, o nível de gordura do leite fica no máximo, o bebê se sente saciado e para naturalmente”, simplifica o pediatra. As mamadeiras não têm o mesmo efeito, já que seu conteúdo tem sempre a mesma quantidade de gordura. “Com a mamadeira, existe o risco do bebê não querer parar de mamar, porque não tem a sensação de saciedade”, diz ele.

6. Pode servir como método contraceptivo para a mãe
Durante seis meses, se a mãe amamentar exclusivamente o bebê, é possível que ela se valha da amenorréia lactacional, um método contraceptivo natural. A sucção recorrente do bebê na mama faz com que o hipotálamo da mãe não produza o ciclo necessário à ovulação. Mas atenção: Fabíola avisa que esse método só acontece durante os seis primeiros meses, e em mulheres que estejam amamentando em livre demanda.


7. Protege o bebê de alergias posteriores e infecções
Um estudo conjunto das Universidades de Harvard e Stanford, nos Estados Unidos, mostrou que o leite materno contém imuglobinas que protegem o intestino dos bebês de possíveis alergias alimentares. Luciano Santiago ressalta que os tipos de imuglobinas presentes no leite materno também ajudam a potencializar o efeito das vacinas nos bebês. Ele fala que, para a proteção contra infecções, é recomendável que se amamente (não exclusivamente) até depois de dois anos. “Até dois anos, o corpo da criança ainda não se defende sozinho das infecções”, explica.


8. Cria um laço entre mãe e bebê
“A distância entre o olho da mãe e o seio é exatamente a distância que o neném enxerga. Não é a toa que o neném reconhece a mãe”, conta Fabíola. Além do olhar, o contato entre a pele da mãe e a do filho cria um tipo de laço entre os dois. Um vínculo que, segundo o pediatra Luciano Santiago, “é diferente de tudo que se possa explicar”.


9. Ajuda na formação da mandíbula e da língua do bebê
Fabíola Costa diz que a amamentação é primordial para o desenvolvimento oral do bebê. “A musculatura da boca é exercitada quando ele suga o seio da mãe”, diz a fonoaudióloga. Este tipo de exercício é muito importante, no futuro, para o desenvolvimento da fala da criança. Luciano completa com outras áreas do rosto do bebê que são exercitadas com o aleitamento, como os dentes, os músculos da face, a mandíbula e o maxilar.


10. A longo prazo, as crianças tendem a ficar mais inteligentes
O cérebro humano não nasce completamente formado. É durante os três primeiros anos quee a quantidade de neurônios e sinapses (conexões entre neurônios) aumenta. “O leite materno tem substâncias que favorecem esse desenvolvimento”, diz Luciano Santiago.

Segundo o pediatra, 90% das sinapses cerebrais de uma pessoa são criadas durante seus três primeiros anos de vida. “Quanto mais ligações tiver no cérebro, maior a habilidade da pessoa”, completa o pediatra. Pesquisas da Nova Zelândia e Irlanda mostram que crianças que foram amamentadas exclusivamente durante os primeiros seis meses têm maiores notas na escola e habilidades cognitivas mais refinadas.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

JEITO DE SEURAT

Leitura da obra de Georges Seurat, o qual relata a Evolução do Impressionismo, fora utilizado a música Jeito de Mato do compositor Maurício Santini.






Para saber um pouco mais :em 1886 realizou-se a última exposição coletiva do grupo de artistas impressionistas, Participaram dois pintores com uma nova tendência ao movimento: Georges Seurat (1859-1891) e Paul Sinac (1863-135). Seurat, acabou reduzindo as pinceladas a um sistema de pontos uniformes.Essa técnica foi chamada de Pontilhismo e Divisionismo. Dentro dessa tendência osquadro mais famoso de Seurat é "Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte", quadro o qual fiz a leitura abaixo.



Leitura da Obra :" Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte"

De onde é que vem essa tarde tão linda?

Vem da inspiração de Georges Seurat

Na Ilha Grande Jatte num Domingo à tarde

As coisas acontecem no passado recente

As mulheres, crianças, cachorros e macaos

No fim da tarde triste, na imensidão do lago

As mulheres, crianças, cachorros e macacos

Admiram esse laogo e remete-se ao passado

Sim, lá no lago os barcos velejam

E nas sombra todos se achegam

Para admirar a natureza

Sim, isso hoje não existe mais

Só trabalho duro e muito mais

Natureza já ficou pra trás






quarta-feira, 7 de julho de 2010

Livro que ajuda a alfabetizar

Bichodário é uma ótima opção para iniciar a alfabetização com crianças.
As letras do alfabeto e faz associação com os animais, fazendo assim a familiarização, junta educar com vivencia.
Alem de ser um livro adequado a essa etapa educativa, é um material de aprendizado muito atrativo, a leitura é fácil e as ilustrações são perfeitamente apropriadas.




O que começa com A? Uma aranha assanhada! E com a letra R? A raposa e o rinoceronte, rindo do rabo do rato. Divertido, não? É com estas e outras 24 aliterações que a autora Telma Guimarães, com o auxílio de uma colorida fauna, forma seu Bichodário, lançamento da Editora Larousse (selo Larousse Junior).

A idéia de ensinar o alfabeto com a ajuda de bichinhos fofos veio por meio de um devaneio infantil de Telma: “Meu pai sempre teve muitos livros em casa, alguns eram lindos, de capa dura, com animais enormes... dava impressão que num virar de página saltariam para o meu quarto”. Dito e feito: “... e alguns bichos realmente saltaram, voaram, voaram, sei lá, para fora das páginas daqueles livros. Na mesma hora, pensei: vou fazer um livro de animais! E o Bichodário foi surgindo completamente diferente, pêlo de um, peninha de outro, focinho aqui, dentão, garra e chifre por ali, pata acolá”. E o resto, de fato, é história, digo historinhas – cada letra do alfabeto corresponde a um animal que deixa seu recado. A autora faz ainda na obra um convite ao pequeno leitor para que também dê asas à sua imaginação: “Agora é a sua vez... ler, ouvir, descobrir, encantar-se, procurar outros bichos, misturar tudo junto, quem sabe? Aconteceu comigo, pode acontecer com você!”.


Sami e Bill (Samuel e Fábio) são os designers/ilustradores responsáveis por dar vida aos elefantes, vacas e galinhas da brincadeira. E haja bom gosto! As páginas formam painéis multicoloridos, como se crianças as tivessem recortado e colado.

Sobre a autora: Telma nasceu em Marília, São Paulo, mas reside em Campinas. É licenciada em "Letras Vernáculas e Inglês" pela UNESP e Professora Efetiva de Inglês. Publicou seus primeiros livros infantis em agosto de 1988 ("Cara de Pai", Loyola, "O sopão da Bruxaluca" e "A Tarta-luga", Vozes). Em 1989, recebeu da APCA o título de "Melhor Autora em Literatura Infantil" com seu livro "Mago Bitu Fadolento". Telma já publicou mais de 100 títulos entre infantis, juvenis, em Português e Inglês. É também co-autora de livros juvenis com Celso Antunes e Teresa Noronha. Conheça sua obra completa no site: http://www.telma.com.br/index2.htm

Polyana Picolini Okano

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Saber ler em todas as áreas, Cinthia Rodrigues

Como várias disciplinas do currículo podem contribuir para a formação de bons leitores

TEXTOS DIVERSOS A escola deve promover o ensino da leitura de diferentes gêneros em todas as disciplinas.


Quase todo gestor já ouviu um membro da equipe comentar que os alunos não conseguem fazer algum exercício por não entender o enunciado. Nessas horas, em vez de torcer o pescoço em direção ao professor de Língua Portuguesa, pode-se aproveitar a chance de estimular os educadores das diferentes áreas a refletir sobre seu papel na formação de leitores. Se está claro que cada disciplina ganha quando a leitura é aperfeiçoada, também precisa ficar evidente que todos podem contribuir para que os estudantes entendam o que leem. A edição especial de NOVA ESCOLA Ler em Todas as Disciplinas traz 20 exemplos de professores de todas as áreas da Educação Básica que trabalharam com os alunos estratégias para melhorar a compreensão de textos, informações e imagens. Algumas dicas valem para todos os docentes, como ensinar a fazer anotações que desenvolvam o conceito, grifar os trechos essenciais e resumir com um objetivo bem definido. Outras são mais específicas e pertinentes a algumas disciplinas, como os exemplos dados a seguir.

Arte

Filmes, músicas e imagens precisam ser lidos por etapas. Os estudantes devem passar pela descrição da obra, depois pela análise do estilo e pelo conhecimento do autor para só então chegar à mensagem que o artista pretende transmitir, ou seja, à interpretação.

Ciências

Para a comunidade científica, uma bula de remédio organizada por tópicos é um dos textos mais fáceis de entender, mas a maioria das pessoas não acha tão simples. Cabe ao professor de Ciências ajudar os estudantes a explorar a precisão dos relatórios com conclusões de pesquisa, os textos instrucionais para fazer experiências e reportagens que abordem questões de saúde, alimentação, meio ambiente e tecnologia.

Educação Física

Os movimentos - a base de esportes, jogos, lutas e danças - expressam muitos significados da cultura em que estão inseridos. Para ensinar os alunos a lê-los e interpretá-los, o professor de Educação Física pode usar infográficos, vídeos e narrativas de atividades.

Geografia

Além dos textos didáticos, é preciso, nessa disciplina, ler o espaço - composto de paisagens naturais e culturais em transformação. Há também croquis, mapas, fotos e imagens de satélites que servem de apoio desde que sejam compreendidos. O aluno precisa entender também títulos, legendas e escalas.

História

Procurar a contextualização de época em um texto, imagem ou mapa exige uma habilidade específica de leitura. Em História, os alunos devem aprender a colocar fatos em ordem cronológica, comparar fotos e mapas antigos com representações atuais do mesmo espaço e buscar em textos literários e jornalísticos elementos que colaborem com a compreensão do passado - como a descrição de roupas, de costumes e do contexto social e político. O professor pode colaborar ainda com a aplicabilidade dos tempos verbais e o incentivo à construção de relatos pelos alunos.

Língua Estrangeira

O uso de diferentes gêneros desde o início do aprendizado de um idioma tem mais sucesso do que o caminho tradicional de tradução e memorização de palavras. Mesmo sem entender cada vocábulo, é possível desenvolver a habilidade de entender o contexto geral e, aos poucos, propor objetivos específicos. Para tanto, o professor dispõe de esquemas elaborados com perguntas ou com uma linha do tempo.

Língua Portuguesa

O professor de Língua Portuguesa pode assumir a função de auxiliar os colegas, porém é sua função colocar as turmas em contato com gêneros menos abordados nas demais áreas, como poemas, crônicas e contos, e trabalhar para aumentar o vocabulário dos estudantes com a exploração de textos mais difíceis.

Matemática

Os textos dos problemas matemáticos exigem a proficiência em leitura. Os alunos precisam entender a que se refere cada número para analisar como chegar à resposta. O professor da disciplina deve ajudá-los a fazer as perguntas certas e conseguir relacionar os dados. Uma alternativa é pedir aos alunos que, antes de fazer os cálculos, falem com as próprias palavras sobre os caminhos para encontrar a solução.

LER PARA ESCREVER, Rodrigo Ratier


Bons leitores são bons escritores? Nem sempre. Para enfrentar o desafio da escrita, é preciso investigar as soluções de autores reconhecidos
Rodrigo Ratier
mailto:rodrigo.ratier@abril.com.br

Ilustração: Weberson Santiago

Todo mundo já ouviu (e provavelmente também já repetiu) a noção de que, para escrever bem, é preciso ler bem. À primeira vista, parece um princípio básico e indiscutível do ensino da Língua Portuguesa. Tanto que a opção de nove entre dez professores tem sido propor aos alunos a tarefa. Ler muito, ler de tudo, na esperança de que os textos automaticamente melhorem de qualidade. E, muitas vezes, a garotada de fato devora página atrás de página, mas - pense um pouco no exemplo de sua classe - a tal evolução simplesmente não aparece. Por que será?
Mais sobre Língua PortuguesaEspeciais
Antes de mais nada, ninguém aqui vai defender que não se deva dar livros às crianças. A leitura diária é, sim, uma necessidade para o letramento. Mas ler para escrever bem exige outra pergunta: de qual leitura estamos falando? Para fazer avançar a escrita, a prática não pode ser um ato descompromissado, sem foco. Pelo contrário: exige intenção e um encadeamento bem definido de atividades, que tenham como principal objetivo mostrar como redigir textos específicos. "A leitura para escrever é um momento especial, que coloca os estudantes numa posição de leitor diferente da que usualmente ocupam. Afinal, a tarefa deles será encontrar aspectos do texto que auxiliem a resolver seus próprios problemas de escrita", afirma Débora Rana, psicóloga e formadora de professores do Instituto Avisa Lá, em São Paulo. É um trabalho que destaca a forma - estamos falando de intenção comunicativa e estilo, portanto -, tema relacionado a inquietações que tiram o sono de muitos docentes: por que as composições dos alunos têm tão poucas linhas? Por que eles não conseguem transmitir emoção ou humor? Por que as descrições de lugares e personagens não trazem detalhes? Trechos de contos trazem ótimas sugestões para os textos A ideia do trabalho é analisar os efeitos e o impacto que cada obra causa em quem as lê. Sensações, claro, são subjetivas, variando de pessoa para pessoa. Mas, quando lê diversos textos bons, com expressões e características recorrentes, a turma consegue, pouco a pouco, entender que é a linguagem que gera os tais efeitos que tanto nos comovem ou divertem. Nesse sentido, o conto, um dos tipos de texto mais usuais nas classes de 3º a 5º ano, oferece excelentes recursos para enriquecer produções de gêneros literários. Cabe ao professor, no papel de leitor mais experiente, compartilhar com a turma as principais preciosidades, iluminando onde está o "ouro" de cada obra. Abaixo, listamos alguns dos principais pontos a ser observados e trabalhados nos textos da garotada. Também elencamos exemplos de como os contos podem ajudar a melhorá-los. Linguagem e expressões características de cada gênero. Cada tipo de texto tem uma forma específica de dizer determinadas coisas. "Era uma vez", por exemplo, é certamente a forma mais tradicional de dar início a um conto de fadas (note que ela não seria adequada para uma composição informativa ou instrucional). Além de colaborar para que a turma identifique essas construções, a leitura de contos clássicos pode municiá-la de alternativas para fugir do lugar-comum. O Príncipe-Rã ou Henrique de Ferro, na versão dos Irmãos Grimm, começa assim: "Num tempo que já se foi, quando ainda aconteciam encantamentos, viveu um rei que tinha uma porção de filhas, todas lindas". Descrição psicológica. Trazendo elementos importantes para a compreensão da trama, a explicitação de intenções e estados mentais ajuda a construir as imagens de cada um dos personagens, aproximando-os ou afastando-os do leitor. Em O Soldadinho de Chumbo, Hans Christian Andersen desvela em poucas linhas os traços da personalidade tímida, amorosa e respeitosa do protagonista: "O soldadinho olhou para a bailarina, ainda mais apaixonado: ela olhou para ele, mas não trocaram palavra alguma. Ele desejava conversar, mas não ousava. Sentia-se feliz apenas por estar novamente perto dela e poder contemplá-la". Descrição de cenários. O detalhamento do ambiente em que se passa a ação é importante não apenas para trazer o leitor "para dentro" do texto mas também para, dependendo da intenção do autor, transmitir uma atmosfera de mistério, medo, alegria, encantamento etc. Em O Patinho Feio, Andersen retrata a tranquilidade do ninho das aves: "Um cantinho bem protegido no meio da folhagem, perto do rio que contornava o velho castelo. Mais adiante estendiam-se o bosque e um lindo jardim florido. Naquele lugar sossegado, a pata agora aquecia pacientemente seus ovos". Ritmo. É possível controlar a velocidade da história usando expressões que indiquem a intensidade da passagem do tempo ("vagarosamente", "após longa espera", "de repente", "num estalo" etc.). Outros recursos mais sofisticados são recorrer a flashbacks ou divagações dos personagens (para retardar a história) ou enfileirar uma ação atrás da outra (para acelerar). Charles Perrault combina construções temporais e encadeamento de fatos para gerar um clima agitado e tenso neste trecho de Chapeuzinho Vermelho: "O lobo lançou-se sobre a boa mulher e a devorou num segundo, pois fazia mais de três dias que não comia. Em seguida, fechou a porta e se deitou na cama". Caracterização dos personagens. Mais do que apelar para a descrição do tipo lista ("era feio, medroso e mal-humorado"), feita geralmente por um narrador que não participa da ação, que tal incentivar a garotada a explorar diálogos para mostrar os principais traços dos personagens? Nesse aspecto, a pontuação e o uso preciso de verbos declarativos e de marcas da oralidade (leia a reportagem O papel das letras na interação social) exercem papel fundamental. Neste trecho de Rumpelstichen, os Irmãos Grimm dão voz à protagonista para que ela se lamente: "- Ah! - respondeu a moça entre soluços. - O rei me mandou fiar toda esta palha de ouro. Não sei como fazer isso!" Para terminar, um último e imprescindível lembrete: você pode ter colocado a turma para ler e ter direcionado adequadamente a atividade para melhorar a qualidade dos textos, mas o trabalho não para por aí. Nada disso adianta se o estudante não tiver a oportunidade - mais até, a obrigação - de pôr o conhecimento em prática. Ainda que a leitura seja essencial para impulsionar a escrita, não se desenvolve o comportamento de escritor sem enfrentar, na pele, os complexos desafios do escrever.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Concepção de Leitura.

A leitura é muito importante na nossa vida, a necessidade de se cultivar o hábito de leitura entre crianças e jovens, bem como o papel da escola na formação de leitores competentes, são questões freqüentemente discutidas, a base dessa discussão, destacam-se questões como: O que é ler? Para que ler? Como ler?.
Cabendo ao educador buscar respostas para um bom desenvolvimento da leitura, para o educado. Essas buscas dependerão dos seguintes pontos de vista: Tornar a leitura atrativa e interessante transformá-la em um objeto/estrutura de desejo, sujeito do sentimento de busca do saber sem problematizações como o bloqueio (timidez, discriminação social e psicológica) e principalmente valorizar a individualidade do pensante, potencializando seus saberes já adquiridos para o melhor desenvolvimento da busca do saber desconhecido. Pois a língua é a representação do pensamento, neste sentido a leitura é entendida como a atividade de captação das idéias do autor, ao levar em conta as experiências e os conhecimentos do leitor, pois seu book-glound é muito importante.

Nesta concepção, o texto é visto como simples produto de codificação e decodificação de um emissor a ser decodificado pelo leitor/ouvinte, mostrando, portanto, o conhecimento do código utilizado.
Os sujeitos são vistos como atores/construtores sociais, sujeitos ativos que – dialogicamente- se constroem e são construídos no texto, desta forma leitura é uma atividade na qual se leva em conta as vivências já adquiridas e os conhecimentos do leitor; e exige do leitor bem mais que o conhecimento do código lingüístico, uma vez que o texto não é simples produto da codificação de um emissor a ser decodificado por um receptor passivo.
O processo de leitura é vasto, mostrando assim que a leitura não pode ser superficial deve-se ver o alem do que as letras, figuras, gestos, cores entre outros meios transmitem, podendo haver o enriquecendo no leitor (ensino aprendizagem).


A leitura é uma atividade de produção de sentido. Mostrando assim a importância da interação social, pois devido à leitura possuir vários meios de aquisição do conhecimento, é importante salientar como essa leitura deve ser feita (orientações sobre concepção de leitura); o educador necessita ter a habilidade de interação entre os instrumentos texto e leitor, lembrando que essa relação tem um valor muito forte para adquirir do saber. Destacando ainda a individualidade da aquisição cujo leitor, pode ler o texto com facilidade e velocidade porem sem adquirir sentido aos signos, ler, mas precisar de ajuda para compreender os signos parciais que ainda não possuem sentido (entendimento parcial) ou ainda o leitor que não adquiriram sentido aos signos e precisam buscar uma nova forma para compreender o texto. Levando em conta o conhecimento já adquirido pelo leitor podem-se achar meios para decodificação dos signos ainda desconhecidos/sem entendimento, pois leitura é troca, partilha e desfio para a aquisição do conhecimento.